Atividade física durante a fertilização in vitro: o que a ciência realmente mostra
- Marilia Fazio

- há 23 horas
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Mulheres submetidas à fertilização in vitro (FIV) frequentemente recebem a orientação de reduzir ou até mesmo suspender completamente suas atividades físicas durante o período de estimulação ovariana. Essa recomendação costuma estar relacionada à preocupação com possíveis complicações.
Durante o tratamento de FIV, são utilizados medicamentos que estimulam os ovários a produzirem um maior número de óvulos. Esse processo provoca um aumento no tamanho dos ovários, o que teoricamente os torna mais suscetíveis à torção ovariana. No entanto, a orientação de restringir a atividade física por esse motivo ainda se baseia em evidências científicas limitadas ou de baixa qualidade.
Hoje já se sabe que diversos fatores relacionados ao estilo de vida exercem influência importante sobre a fertilidade. Entre eles estão os padrões alimentares, a quantidade e qualidade da atividade física, o manejo de questões emocionais, a redução do estresse e as condições gerais de vida do casal.
Cuidar da saúde física e emocional antes e durante o processo reprodutivo pode contribuir para uma gestação mais saudável. Além disso, desenvolver estratégias para lidar com ansiedade, estresse e desafios emocionais — muito comuns durante tratamentos de fertilidade — é considerado um fator importante para o bem-estar da mulher e para o sucesso do tratamento.
Estudos recentes indicam que mulheres que já mantinham um estilo de vida ativo antes da gravidez tendem a continuar se exercitando durante o período de estimulação ovariana. Essas mulheres apresentam menores níveis de estresse após a coleta dos óvulos, sem aumento clinicamente significativo nas taxas de torção ovariana. Esses achados sugerem que as restrições generalizadas de atividade física durante essa fase devem ser reconsideradas.
Além disso, observou-se uma menor incidência de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia em gestantes submetidas à fertilização in vitro que mantiveram um estilo de vida ativo. Entre as atividades mais frequentemente relatadas estão caminhadas, exercícios aeróbicos leves, fortalecimento muscular e práticas de relaxamento.
Dessa forma, a implementação de um programa de atividade física adequado para mulheres que realizam FIV pode ser uma estratégia segura e eficaz, contribuindo para reduzir o risco de desfechos maternos e fetais adversos e promovendo mais saúde durante todo o processo reprodutivo.
Embora cada tratamento de fertilização in vitro deva ser avaliado de forma individualizada, as evidências atuais indicam que manter-se ativa, com orientação adequada, pode trazer benefícios importantes para a saúde física e emocional da mulher.
Por isso, sempre que possível, a prática de exercícios deve ser discutida com a equipe de saúde, para que a mulher possa atravessar esse momento com mais segurança, equilíbrio e qualidade de vida.
Referência científica:
Maren Shapiro, Amy Kaing, Jacob P. Christ, Heather Gibson Huddleston. PHYSICAL ACTIVITY DURING FERTILITY CARE (PACE): A RANDOMIZED CONTROLLED TRIAL OF EXERCISE DURING OVARIAN STIMULATION. Volume 122, Issue 4, Supplement e119-e120 October 2024.
Charkamyani F, Hosseinkhani A, Neisani Samani L, Khedmat L. Reducing the Adverse Maternal and Fetal Outcomes in IVF Women by Exercise Interventions During Pregnancy. Research quarterly for exercise and sport, February 2020.
Escrito por: Fisioterapeuta Marilia Monteiro – CREFITO 129693-F

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