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Lipedema: o papel do exercício físico


O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura, principalmente nos membros inferiores, podendo também afetar os braços, geralmente com uma divisão bem definida entre mãos e pés. Mais do que uma questão estética, trata-se de uma condição que impacta diretamente a qualidade de vida, já que está frequentemente associada à dor ao toque ou até mesmo espontânea, sensação de peso, fadiga que não melhora com a elevação das pernas e facilidade para o surgimento de hematomas, mesmo após pequenos traumas.


Sua origem ainda não é completamente compreendida, mas há uma forte relação com fatores genéticos e hormonais, especialmente ligados ao estrogênio e à forma como seus receptores se comportam no tecido adiposo. Além disso, o diagnóstico ainda pode ser desafiador, já que não existe uma padronização bem estabelecida, o que faz com que o lipedema seja frequentemente confundido com obesidade, atrasando o início de um tratamento adequado.


O tratamento conservador é baseado em uma abordagem que envolve mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma alimentação equilibrada, o uso de terapia compressiva, a drenagem linfática manual e a prática de exercício físico. Nesse contexto, o exercício deixa de ser apenas um complemento e passa a ter um papel importante dentro do cuidado com a doença.


Estudos recentes mostram que mulheres com lipedema que apresentam baixos níveis de atividade física tendem a relatar maior intensidade de dor, o que reforça a relação entre o sedentarismo e a piora dos sintomas. Por outro lado, a prática regular de exercícios tem demonstrado benefícios importantes, como a melhora da vascularização muscular, o aumento do fluxo linfático, a redução da sensação de peso e fadiga, além do ganho de massa muscular, contribuindo também para a redução e/ou controle do edema.


Entre os tipos de exercícios mais indicados estão os exercícios posturais, o fortalecimento muscular global, o treino de core, os exercícios aeróbicos e os exercícios de respiração abdominal, que atuam de forma integrada na melhora da função corporal. Além disso, evidências sugerem que os efeitos do exercício físico podem ser ainda mais significativos quando associados ao uso contínuo de terapia compressiva, potencializando o retorno venoso e linfático.


Apesar dos avanços, ainda são necessários mais estudos para estabelecer protocolos específicos e padronizados de prescrição de exercícios para mulheres com lipedema, considerando suas diferentes fases e características. Ainda assim, o que já se sabe reforça que o exercício físico é uma estratégia terapêutica promissora e deve ser considerado parte fundamental do tratamento, contribuindo não apenas para a redução dos sintomas, mas também para a melhora da funcionalidade, da autonomia e da qualidade de vida.


Referência científica:

Giuseppe AnnunziataAntonio PaoliVincenzo Manzi, et al. The Role of Physical Exercise as a Therapeutic Tool to Improve Lipedema: A Consensus Statement from the Italian Society of Motor and Sports Sciences. Curr Obes Rep. 2024 Jul.


Stefano Lanzi, Enrica Porceddu, Anina PousazCécile Jaques, and Lucia Mazzolai. Exercise training in women with lipedema – A systematic review. 2025 November.


Escrito por: Fisioterapeuta Marília Monteiro – CREFITO 129693-F

 
 
 

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